WALMOR CORREA E SPOROPHILA BELTONI

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De 7 de agosto a 1º de novembro de 2018, Instituto Ling apresenta a exposição Walmor Corrêa e Sporophila Beltoni, do artista catarinense radicado em São Paulo, Walmor Corrêa. Com curadoria de Paulo Myada, a exposição traz 17 obras - entre pinturas, desenhos, fotografias, mapas, vídeo e outros objetos - que tratam de explorar artisticamente o reconhecimento e a identidade de uma espécie de pássaro brasileiro que só recentemente foi catalogada: a Sporophila beltoni, conhecida popularmente como patativa-tropeira.


Duas obras que estarão na exposição são inéditas: um vídeo - em que o artista explica o projeto e uma pintura, intitulada Paisagem Distorcida - em que o artista retrata uma paisagem sob o ponto de vista da própria patativa-tropeira.


Fascinado por ornitologia - o estudo das aves, em 2014 Walmor foi convidado a apresentar um projeto de pesquisa para uma residência financiada pelo Instituto Smithsonian, nos EUA. A residência possibilitou que o artista investigasse os arquivos do Museu de História Natural de Washington. A intenção era realizar um projeto que percorresse o caminho inverso da vida de uma das principais referências no estudo ornitológico brasileiro, William Belton (1914-2009), responsável por registrar milhares de pássaros brasileiros que, até então, eram desconhecidos. Na insistência de abrir arquivos, Walmor encontrou uma ave empalhada em 1820, uma Sporophila brasileira, perdida no fundo de uma gaveta, junto a outros espécimes latino-americanos. Era uma Sporophila beltoni, assim batizada em homenagem ao ornitólogo que Walmor tanto admira.


"Daí em diante, o trabalho de Walmor Corrêa concentrou-se em buscar maneiras de forjar reconhecimento e identidade para esse ser que vivia anônimo e foi morto para fazer parte do saber científico, que, então, o abandonou indigente e sozinho", afirma Paulo Myada em seu texto curatorial. "Certidão de nascimento, carteira de identidade e passaporte são alguns dos papéis que o artista aprendeu a solicitar e produzir a fim de dar fé da existência do pássaro. Como um conjunto, a exposição atesta a empatia possível do artista com o pássaro e deles conosco, que descobrimos, de um só fôlego, ter sido encontrado algo que não sabíamos estar perdido", completa o curador.


Um dos artistas contemporâneos mais reconhecidos no Brasil e no exterior, Walmor Corrêa (1962) tem grande interesse por anatomia e História Natural desde a infância, quando se apaixonou por dissecações e desenhos de Leonardo Da Vinci. Já estudou taxidermia e fisiologia para criar animais fantásticos e híbridos que, à primeira vista, poderiam ser reais. Dessa forma, suas criações provocam uma reflexão sobre os limites entre o real e o imaginário, a arte e a ciência, trazendo novas perspectivas sobre o olhar dos primeiros viajantes da época colonial e pesquisadores da história natural brasileira, além de estudos minuciosos da anatomia de seres imaginários do folclore.


A exposição é organizada pelo Instituto Ling com patrocínio da Crown Embalagens e realização do Ministério da Cultura / Governo Federal.

Data: de 07 de agosto a 01 de novembro de 2018

Local: Galeria do Instituto Ling

Horário: de segunda a sexta das 10h30 às 22h e sábados das 10h30 às 20h

Artista

Walmor Bittencourt Corrêa (1962) vive e trabalha atualmente em São Paulo. Ao longo de sua carreira, participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, entre as quais destacam-se: XXVI Bienal Internacional de São Paulo; VII Bienal do Mercosul; Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo; Metamorfoses e Heterogonia – Projeto Site Specific – Museu de Arte Moderna de São Paulo; Os Trópicos – Visões a partir do Centro do Globo – Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília (DF); Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (RJ); Martin-Gropius-Bau, Berlim, Alemanha; Iziko South African National Gallery, Cidade do Cabo, África do Sul; Cryptozoology – Out of Time Place Scale – Bates College Museum of Art, Lewinston, Estados Unidos; e H&R Block Artspace, Kansas City Art Institute, Missouri, Estados Unidos. Em 2015, lançou uma publicação intitulada O Estranho Assimilado, com textos que analisam sua obra por Fernando Cocchiarale, Maria de Fátima Costa, Mônica Zielinsky, Paula Ramos, Francisco Marshall e Tadeu Chiarelli. Recentemente, a convite do Sesc Pompéia de São Paulo, apresentou a instalação sobre a vida de Lina Bo Bardi e, em 2017, um solo project com a Artur Fidalgo Galeria na Feira de Arte Internacional do Rio de Janeiro.

Crédito: Juliana Rezende

Obras

  • Pintura retrato Leopoldina. Acrílica e grafite sobre tela. 29,4 X 39 cm. Coleção do artista.
  • Certidão de nascimento do Sporophila beltoni. Impressão sobre papel 21 X 29,8 cm. Coleção do artista.
  • Paisagem natural do Sporophila beltoni. Acrílica e grafite sobre tela. 43,8 X 29,8 cm. Coleção do artista.
  • Passaporte de Sporophila beltoni. Impressão sobre papel e encadernação. 8,7 X 12,5 cm (fechado) 17,6 X 12,5 cm (aberto). Coleção do artista.
  • Carteira da ANAC de Sporophila beltoni. Impressão sobre PVC e chip metálico. 8,5 X 5,35 cm. Coleção do artista.
  • Cladrograma (árvore genealógica). Acrílica e grafite sobre tela. 136 X 97 cm. Coleção do artista.